Copa do Mundo

Bélgica chega embalada para encarar a Espanha nas quartas da Copa do Mundo

Bélgica chega embalada para encarar a Espanha nas quartas da Copa do Mundo

Los Angeles recebe nesta sexta-feira um dos confrontos mais intrigantes das quartas de final da Copa do Mundo: Bélgica e Espanha se enfrentam com trajetórias distintas, mas ambas com argumentos sólidos para avançar às semifinais. Os belgas chegam com moral renovada após dois resultados expressivos seguidos; os espanhóis, com uma defesa que está reescrevendo a história do torneio.

A seleção de Rudi Garcia não convenceu totalmente na fase de grupos, mesmo tendo liderado o Grupo G, mas virou a chave nas fases eliminatórias. Primeiro, uma virada dramática de 3 a 2 sobre o Senegal na prorrogação - o tipo de partida que forja caráter em um grupo. Depois, uma goleada de 4 a 1 sobre os Estados Unidos nas oitavas, num jogo em que a polêmica sobre a convocação de Folarin Balogun dominou a pré-partida, mas o futebol belga tratou de calar o ruído. Charles De Ketelaere marcou duas vezes, enquanto Hans Vanaken e Romelu Lukaku - ambos saindo do banco - completaram o placar. Num mercado de transferências cada vez mais movimentado, como ficou evidente com a venda de Gordon por 69 milhões, o futebol europeu segue em ebulição - e a Bélgica tem mostrado que seu elenco de alto nível pode fazer barulho quando engrenado.

Lukaku no banco, mas decisivo: o dilema de Garcia

Lukaku é, ao mesmo tempo, o problema e a solução de Rudi Garcia. O centroavante do Inter de Milão marcou nos três últimos jogos da Bélgica no torneio, tornando-se apenas o segundo jogador belga a conseguir esse feito numa mesma Copa - Marc Wilmots havia feito o mesmo em 2002. O detalhe é que todos os três gols vieram como substituto. Apenas Roger Milla, do Camarões, balançou mais vezes a rede saindo do banco numa única edição do Mundial, com quatro gols em 1990.

A lógica manda Lukaku começar no banco novamente, mas sua eficácia reflete o momento coletivo da equipe. A taxa de conversão de chutes da Bélgica neste torneio é de 12,1% - a segunda mais alta da história do país numa Copa (desde 1966), atrás apenas dos 15,2% registrados na Rússia em 2018. Garcia também está criando muito: uma média de 21,4 finalizações por jogo, a segunda mais alta da Bélgica em qualquer Copa do Mundo, superada apenas pelas 24 tentativas por partida registradas em 1970.

Espanha bate recordes defensivos e Yamal amedronta

Do outro lado, a Espanha de Luis de la Fuente apresenta números defensivos que colocam esta equipe num patamar histórico. A vitória por 1 a 0 sobre Portugal na segunda-feira, decidida por Mikel Merino aos 91 minutos, foi a sexta partida seguida sem sofrer gols no Mundial - um recorde absoluto na história do torneio. A seleção espanhola está há 10 horas e nove minutos sem ser vazada. O xGA médio por jogo de 0,30 é o mais baixo já registrado por qualquer equipe em qualquer edição da Copa do Mundo.

Na frente, Lamine Yamal continua sendo a grande arma ofensiva. Tinha apenas três anos quando a Espanha conquistou o título em 2010, e hoje é um dos jogadores mais dominantes do torneio. O ponta do Barcelona já completou 17 dribles nesta Copa - entre os adolescentes com registro histórico (desde 1966), apenas Jamal Musiala em 2022 e Kylian Mbappé em 2018 superaram essa marca na fase eliminatória mundial. Por trás de Yamal, Rodri acumula 80 passes que rompem linhas defensivas, o maior número de um espanhol em Copas desde 2010, quando Xabi Alonso chegou a 126, Xavi a 89 e Piqué a 86.

Histórico e probabilidades apontam para a Espanha, mas 1986 pede cautela

Nos últimos 11 confrontos entre as duas seleções em todas as competições, a Espanha venceu nove e empatou dois - a última derrota espanhola data de 1980, na Eurocopa. As últimas cinco partidas foram resolvidas com um placar agregado de 13 a 1 em favor de La Roja. O supercomputador da Opta simulou 25 mil cenários e apontou vitória espanhola nos 90 minutos em 59,3% das vezes. A Bélgica venceu em apenas 18,3% das simulações dentro do tempo regulamentar, enquanto o empate apareceu em 22,4%. Considerando prorrogação e pênaltis, a Espanha chegou às semifinais em 69,5% dos cenários.

Ainda assim, a história pede respeito aos belgas. Em 1986, nas quartas de final exatamente desta fase do torneio, a Bélgica eliminou a Espanha nos pênaltis após empate em 1 a 1 - o único encontro eliminatório entre as duas equipes em Copas. Sob De la Fuente, a Espanha avançou em todos os seis jogos eliminatórios de grandes torneios que disputou, mas alcançar sete consecutivos o colocaria ao lado de apenas dois treinadores na história europeia: Vittorio Pozzo, com oito vitórias seguidas pela Itália entre 1934 e 1938, e Vicente del Bosque, com sete pela Espanha entre 2010 e 2012. Os números favorecem os espanhóis. Mas a Bélgica, quando encontra seu melhor futebol, é capaz de surpreender qualquer adversário.